Critérios para avaliação global dos médicos residentes
Além das avaliações teóricas trimestrais, os médicos residentes de anestesiologia também são submetidos a avaliações de comportamentos e atitudes em serviço e da necessidade de supervisão, segundo os critérios descritos a seguir:
A – Avaliação de comportamento e atitudes dos médicos residentes usa os critérios:
- Pontualidade: o ideal é que o residente nunca chegue atrasado a tempo de preparar da sala de cirurgia;
- Assiduidade: o ideal é que o residente nunca falte ao trabalho sem motivo justificado;
- Aderência a medidas de assepsia: o ideal é que o residente demonstre aderência às precauções universais (CDC):
- Higiene das mãos.
- Uso de equipamentos de proteção individual (por exemplo, luvas, máscaras, óculos).
- Higiene respiratória/etiqueta da tosse.
- Segurança de perfurocortantes (controles de engenharia e práticas de trabalho).
- Práticas seguras de injeção (ou seja, técnica asséptica para medicamentos parenterais).
- Instrumentos e dispositivos estéreis.
- Superfícies ambientais limpas e desinfetadas.
- Relacionamento interpessoal: o ideal é que o residente demonstre consideração e respeito por todos os membros da equipe anestésico-cirúrgica. Colabora para manter o clima da sala de cirurgia cordial.
- Relacionamento com o paciente: o ideal é que o residente demonstre empatia, respeito, cordialidade e postura profissional em suas interações com os pacientes.
- Receptividade a críticas e orientações: O ideal é que o residente demonstre uma atitude positiva ao receber dos instrutores críticas em relação ao seu desempenho e orientações para aprimoramento profissional;
- Proatividade: o ideal é que o residente demonstre proatividade, ou seja, demonstre capacidade de enxergar à frente, prever problemas, encontrar soluções e promover mudanças à sua volta de forma autônoma. Participa e se dedica às tarefas sempre que possível ao invés de esperar uma ordem ou solicitação, está sempre à frente e disposto a fazer algo pelos colegas, reconhecendo e respeitando seus limites e não incorrendo em comportamento arrogante, inconveniente ou arriscado. No período perioperatório, o residente proativo caracteriza-se pela capacidade de antecipar ou identificar problemas potenciais ou reais e propor medidas de prevenção ou controle adequadas.
- Interesse pelo aprendizado baseado no paciente: o ideal é que o residente demonstre interesse em aprender com o manuseio anestésico dos pacientes, que aproveite a orientação do preceptor para formular um planejamento anestésico consistente e adequado do paciente e para resolver problemas perianestésicos. O residente que se envolve em conversas fúteis no período transoperatório demonstra não estar interessado no aprendizado baseado no problema do paciente.
- Conhecimento médico: o ideal é que o residente seja capaz de responder a perguntas teóricas relacionadas a problemas dos pacientes formuladas pelos preceptores. Residentes que são incapazes de responder perguntas sobre drogas que estão usando, técnicas que estão treinando ou problemas do paciente demonstram conhecimento médico insuficiente.
Cada critério é avaliado em um escala de cinco postos (0 a 4), sendo quatro referente ao comportamento ideal e zero ao comportamento totalmente insatisfatório.
B – As necessidades de supervisão dos residentes são classificadas nos seguintes níveis:
Nível 5 – Supervisão máxima – O preceptor tem que realizar totalmente ou a maior parte das etapas do procedimento – o residente necessita da intervenção manual do preceptor para completar o procedimento. Por exemplo: o preceptor tem que estar em campo ajudando o residente a realizar um bloqueio, uma punção venosa ou arterial, realizando uma avaliação pré-anestésica. O residente não tem ainda condições de tomar nenhuma decisão quanto ao planejamento de procedimentos e técnicas anestésicas.
Nível 4 – Supervisão intensiva – O preceptor tem que estar junto com o residente o tempo todo para orientar verbalmente todos ou quase todos os passos do procedimento. Por exemplo, o preceptor tem que ficar em campo, mas não precisa interferir manualmente, para que o residente realize um bloqueio, uma intubação traqueal ou uma avaliação pré-anestésica. O residente já tem alguma condição de planejar procedimentos e técnicas anestésicas, mas o preceptor precisa tomar todas as decisões em relação ao planejamento anestésico.
Nível 3 – Supervisão intermitente – O preceptor tem que estar junto com o residente o tempo todo para orientar verbalmente alguns os passos do procedimento. O residente tem condições de realizar um planejamento anestésico, mas precisa da verificação do plano pelo preceptor. Por exemplo, o preceptor precisa estar presente, ainda que fora do campo, para verificar e orientar procedimentos e condutas anestésicas.
Nivel 2 – Supervisão mínima – O preceptor precisa estar em sala de cirurgia ou no ambiente cirúrgico e prontamente disponível para resolver problemas inesperados para os quais o residente não tenha realizado um planejamento adequado ou não seja capaz de identificar ou tratar corretamente (o residente desempenha independentemente, mas não está completamente consciente dos riscos e necessita supervisão in loco para a prática segura). Por exemplo, o residente é capaz de conduzir uma anestesia geral, tratar episódios transitórios de hipotensão arterial, mas tem dificuldade em identificar ou resolver uma embolia gasosa ou um pneumomediastino.
Nível 1 – Supervisão desnecessária – O residente desempenha independentemente, entende os riscos e está pronto para a prática clínica independente). Por exemplo, um residente que é capaz de formular um planejamento anestésico, identificar e tratar intercorrências em cirurgias de pequena, média e alta complexidade.
Periodicidade das avaliações globais e de necessidade de supervisão:
O processo avaliativo dos médicos residentes é dividido em quatro ciclos anuais, cada ciclo correspondendo a um trimestre.
- Primeiro ciclo: março, abril e maio;
- Segundo ciclo: junho, julho, agosto;
- Terceiro ciclo: setembro, outubro, novembro;
- Quarto ciclo: dezembro, janeiro, fevereiro


